quarta-feira, 22 de março de 2017

Sobre os programas automóveis na televisão


Há muitos programas sobre automóveis na televisão, seja ela em canal nacional, seja ela na TV por cabo. Alguns são desinteressantes, meramente informativos, outros são puro entretenimento. Logo, raros são aqueles que informam, educam e entretêm. Dos poucos que cabem nesse último critério, o "Wheeler Dealers" (Jóias Sobre Rodas em Portugal e no Brasil) era um deles. Apresentado por Mike Brewer - o vencedor - e Edd China - o mecânico - era uma formula de sucesso que existia desde 2003 até aos dias de hoje. E digo "era", porque o Jalopnik anunciou esta terça-feira que Edd China decidiu abandonar o programa, alegando "diferenças criativas".

E ele explica isso tudo no video que coloco aqui em cima. Ali, ele fala:

"Infelizmente, em sua primeira tentativa de produzir o programa, o pessoal do Velocity achou o Wheeler Dealers 'muito difícil de fazer, no seu formato atual'. Em especial a cobertura detalhada e profunda de meu trabalho na oficina, que eu considero ser a espinha dorsal e o diferencial do programa, são algo que deve diminuir na opinião do Velocity. Os trabalhos na oficina são, sem dúvida, a parte mais difícil de fazer, e reduzir sua substância e papel no programa vai economizar tempo, esforço e, consequentemente, dinheiro.

No entanto, esta nova direção é algo que não me deixa confortável, pois eu acredito que as reduções que eles me pediram para fazer comprometeriam a qualidade do meu trabalho e acabariam com a minha integridade e a do programa. Então eu cheguei à conclusão de que minha única opção é deixar o Velocity seguir em frente com a empreitada, sem mim.

Na realidade, Edd mandou passear os novos donos do programa, o canal Velocity. Eles adquiriram os direitos do "Jóias Sobre Rodas" há uns tempos, em 2015 - daí eles se terem mudado para a California - e disseram a Edd que os seus segmentos eram... aborrecidos, e queriam que ele agilizasse, em nome da "atração" do programa. Como Edd sabia que essa parte era importante para instruir os espectadores, decidiu arrumar as coisas e seguir a sua vida. Em suma, tem princípios. Ótimo para ele.

Contudo, "Wheeler Dealers" vai continuar. O seu substituto será Ant Ansted, antigo apresentador de um programa, "For The Love of Cars", ao qual o muito alto Edd (tem 2.01 metros!) desejou-lhe sorte. E como já viram em cima, o Edd vai fazer o seu próprio canal no Youtube, do qual vou ver se sigo o mais possível.

É que... sabem, quilo que ele faz é útil, eu não ficaria espantado se o canal dele não contasse dentro em breve com algumas centenas de milhares de seguidores. Porque ele tem carisma para isso. Isso... e os sofás automobilísticos que ele faz.

Como é óbvio, não tenho nada contra programas de entretenimento sobre automóveis. O "Top Gear" e o "The Grand Tour" são programas desse tipo e nos entretêm. Mas a formula de sucesso está numa mistura de carros de sonho, desafios automobilísticos e o carisma dos apresentadores. É por isso que os "Três Estarolas" - James May, Jeremy Clarkson e Richard Hammond - funcionam muito bem, onde quer que andem e em que programa estão, e os novos apresentadores do Top Gear são o que são depois da cacofonia da temporada anterior.

Mas meter entretenimento em programas de restauração de carros, por exemplo, não funciona muito bem. O "gearhead" é seletivo e picuinhas. E esses gostam mais de um "Wheeler Dealers" do que um "Fast n'Loud" com aqueles senhores do "Monkey Garage", liderados por Richard Rawlings e Aaron Kaufmann. Depois de ver muitos programas, posso dizer com toda a certeza que ele é irritante, e daquilo que já ouvi nos últimos tempos, ambos já se separaram e não vão apresentar mais o programa juntos. E por estes dias anda a passar a nova temporada do "Car SOS" com o Tim Shaw e o Fuzz Townsend, que é um híbrido entre entretenimento, causa e informação, e também gosto de o ver, confesso.

E claro, ao fim de um certo tempo, as pessoas cansam-se desse tipo de programas. Sabemos que quando acabam com um programa, as coisas podem sair pela culatra. Foi o que aconteceu com o Jeremy Clarkson, que manteve a popularidade depois dos eventos de março de 2015, onde esmurrou um produtor do programa e foi despedido da BBC. Montou o novo programa, arrastando os seus amigos, e nada foi beliscado. E mesmo o próprio Top Gear, com os novos apresentadores, parece que começa a recuperar o que é verdadeiramente um programa de automóveis, mostrando que podem conviver uns com os outros.

Em suma, nós, "petrolheads", temos os nossos gostos. E temos a sensação de que nos tiraram o doce da nossa boca em nome do espectáculo. E sentimos que, a partir de agora, nada vai ser como dantes. Mas os programas de automóveis continuarão a existir na televisão, e como já vimos nos últimos anos, nesta era de redes sociais, que todos têm o seu lugar ao sol. 

terça-feira, 21 de março de 2017

A imagem do dia

Esta não deveria ter sido a segunda corrida do ano. Deveria ter sido a terceira corrida, pois entre Kyalami e Jacarépaguá, deveria ter havido uma corrida pelo meio. A 7 de março, duas semanas antes, deveria ter acontecido o GP da Argentina, em Buenos Aires, mas pelo meio, a Argentina, que estava numa situação complicada - o regime militar estava no seu estretor e eles procuravam uma distracção, que o mundo conhecerá dentro em breve - decidiu que uma corrida dessas não seria necessário. E para piorar as coisas, as próprias convulsões da Formula 1 não ajudaram muito.

Sem a Argentina - só voltaria em 1995 - o Brasil tornou-se na segunda corrida do ano, e a Formula 1 ficou dois meses sem corridas. Pelo meio houve testes um pouco por todo o lado - Dider Pironi apanhou dois grandes sustos em Paul Ricard - e todos estavam prontos quando aconteceu.

O resultado acabou por ser decidido na secretaria, e por uma boa razão: com os motores Turbo, os aspirados só os poderiam acompanhar se recorressem a "truques no livro", e isso implicava carros os mais leves possivel. Colin Chapman adorava ler os livros de regras para ver como é que daria a volta, mas outro que lia atentamente esses livros era Gordon Murray. E tinha como patrão um tal de Bernie Ecclestone. 

Em suma, a Brabham de 1982 era um antro de espertalhões: começava pelo patrão e acabava no piloto, passando pelo projetista. Claro, Jean-Marie Balestre não achou piada.

A desclassificação poderia ter ido mais além. Falava-se que o McLaren de John Watson poderia estar abaixo do peso mínimo, mas safou-se de uma desclassificação. Brabham e Williams recorreram, e o tribunal de apelo iria ver se tinham ou não razão, mas o grande culpado era um regulamento suficientemente largo para que se pudesse interpretá-lo da maneira como quisessem. A genialidade de Chapman foi muitas das vezes essa...

Contudo, este não seria o final da história. Era apenas o começo de mais um polémico capítulo da Formula 1 nesse tempo, um dos que polvilhou esta temporada de 1982, conturbada em muitas maneiras.

WRC: Tudo em ordem com a caixa de Ogier

Semana e meia depois das dúvidas levantadas, a certeza: a caixa de velocidades de Sebastien Ogier está conforme os regulamentos. A noticia foi dada pela FIA, esta terça-feira em Paris.

As suspeitas apareceram logo após a prova mexicana, quando o comissário da FIA afirmou que não tinha conseguido investigar a fundo a caixa de velocidades do piloto da ford. Depois de ter sido desmontada na Europa, e feito um exame detalhado, chegou-se à conclusão de que tudo estava em ordem.

Assim sendo, o segundo lugar alcançado no rali foi validado, e Ogier continua a ser o líder do Mundial, com 66 pontos, mais 22 do que o segundo classificado, Jari-Matti Latvala.

O WRC continuará entre os dias 2 e 4 de abril, na Córsega. 

Youtube Formula 1 Classic: As voltas de qualificação de Senna

No dia em que comemoramos mais um aniversário do nascimento de Ayrton Senna, recordo especialmente as suas voltas de qualificação que eram especialmente diferentes, no qual disse que se transcendia e dava o seu melhor. Sobre isso, Martin Brundle, o seu rival na Formula 3, dizia que ele conseguia tirar dois a três segundos, concentrando-se acima da média.

Foi por causa disso que tem hoje 65 pole-positions, quase 23 anos depois da última vez que fez uma. O recorde foi seu até que Michael Schumacher o bateu, em 2006, mas hoje, com uma nova geração, ainda surpreende toda a gente.

Então, em jeito de homenagem, coloco este video, feito pelo Antti Kalhola.   

segunda-feira, 20 de março de 2017

Os novos integrantes do Top Gear... americano

O Top Gear é exportável, tanto que é sabido que existem (ou já existiram) seis versões do programa. Já falei que por estes dias há as versões italiana e francesa, mas também já houve a versão australiana, russa, chinesa e sul-coreana, para além da versão americana, que tinha Tanner Foust, Rutlege Wood e Adam Ferrara.

Curiosamente, a versão americana foi a que durou mais tempo - seis temporadas - e foi a que se autonomizou mais em relação à versão original. Contudo, o programa terminou no ano passado, depois dos três terem ido a Cuba, numa rara visita ao país dos Castros, numa espécie de final simbólico.

Contudo, a BBC America decidiu pegar de novo no programa e vão fazer uma nova série, com episódios, com três novos apresentadores. São eles o ator William Fitchner, Antron Brown, piloto de drag racing - e campeão do mundo na sua categoria - e o jornalista britânico Tom "Wookie" Ford, e a ideia é serem um pouco mais fiéis ao original. O ruivo "Wookie" - curiosamente - já foi apresentador do The Fifth Gear.

"Somos grandes fãs de uma mistura de carros, credibilidade e carisma, que é a fórmula vencedora do Top Gear, e não poderia ser mais feliz que a BBC America é agora o lar para a franquia nos EUA, com a Top Gear America juntando-se ao programa original na nossa rede", disse Sarah Bennett, a presidente da BBC América. "Bill, Antron e Wookie são sérios "petrolheads" que nunca se levam demasiadamente a sério", concluiu.

O programa será apresentado mais tarde no ano.

O acidente de Richard Hammond

O Top Gear está no ar - pelo menos até meio de abril - mas o The Grand Tour já anda em gravações em relação à sua segunda temporada. E hoje soube-se que um dos seus elementos, Richard Hammond, sofreu um acidente relativamente sério em Moçambique, quando gravava mais um episódio. O elemento mais baixo dos três bateu com a cabeça no chão quando seguia de moto num caminho naquele país africano, mas não foi levado para o hospital.

Hammond, já recuperado do acidente - já foi há algumas semanas - agradeceu na sua conta no Drivetribe as mensagens de melhoras. 

"É verdade, eu caí de uma moto enquanto filmava recentemente para o Grand Tour em Moçambique. Eu bati minha cabeça, sim, junto com praticamente tudo o resto além do meu polegar esquerdo, que permanece magoado. Não posso dizer mais sobre o como e o porquê, isso fica para mais tarde, quando mostrar no programa", contou. 

"Quanto a lesões... bem, colocando desta forma, eu não acho que eu possa escrever um livro sobre isto", concluiu.

Não é a primeira vez que Hammond sofreu um acidente sério. Em 2006, quando estava no Top Gear, sofreu um acidente com um dragster, perdendo o controle dele a mais de 400 km/hora. Sofreu algumas lesões na cabeça e ficou em coma induzido durante dez dias, mas conseguiu recuperar completamente.


No Top Gear desta semana...


Top Gear S24-E03 por dailyTubeTV
No terceiro episódio da temporada 24 do Top Gear, o Matt LeBlanc vai andar de Aston Martin (o novo DB11), vai-se armar em James Bond com o Chris Harris num Mercedes AMG S63, entre estradas sinuosas e vinhedos no Montenegro... com a policia a persegui-los!

E outras coisas mais engraçadas aparecerão neste episódio, como o Volkswagen Golf guiado pelo Rory Reid em algumas estradas da Alemanha... excepto no Nordschleife, onde foi guiado por uma certa piloto local.

domingo, 19 de março de 2017

Restaurante fino ou McDonalds, que preferem?

Bernie Ecclestone está afastado da Formula 1, mas não deixa de dizer de sua justiça sobre o que os novos próprietários querem fazer dela. Depois de ouvir declarações em que os responsáveis apoiam uma maior aproximação da competição ao público, e "americanizá-lo", de uma certa forma - não que o modelo da NASCAR seja o ideal - o octogenário decidiu falar de sua justiça, a uma semana do primeiro Grande Prémio de uma temporada que, em muitos aspectos, foi desenhada por ele. 

Numa entrevista ao Daily Mail inglês (atenção que os tablóides têm tendência para exagerar...) Ecclestone disse que desejava ter ficado por um pouco mais de tempo - fala em mais um ano - mas que agora, o outro lado nem quer ver "pintado a ouro". “Eu não posso fazer nada. O staff foi informado que não podia sequer falar comigo”, começou por contar ao tabloide britânico.Eles querem acabar completamente com a era Ecclestone. Estão sempre a dizer a mesma coisa, talvez pensem que me deixa contente mas não: ‘Ele fez um bom trabalho mas temos de seguir em frente’. Se calhar são eles que têm razão…”, continuou.

"Eu olho para a Formula 1 de uma maneira diferente do que as outras pessoas. Toda a gente queria ir a um ‘restaurante’ onde não se conseguia arranjar lugar. Então eu era muito rigoroso com essas coisas, como por exemplo os passes do paddock. Agora, a filosofia da Liberty é muito mais aberta. Eles têm uma cultura americana e numa corrida americana estão todos no paddock e podem conversar com os pilotos e sentar-se nos carros", declarou.

Na Formula 1, temos dirigido um restaurante de três estrelas Michelin, não como um restaurante de fast-food, mas talvez agora a culinária seja mais acessível. Talvez tenha um sabor melhor”, gracejou, em jeito de conclusão.

Falando sobre aquilo que ele referiu, o que será que os adeptos preferem? Elite ou acessibilidade? Um desporto de poucos com dinheiro, como por exemplo, o boxe, onde uma audiência selecta pagar centenas de dólares para ver na televisão um combate, no qual ao vivo cobrariam milhares só para se sentar num topo qualquer de um pavilhão num sitio onde o dinheiro manda? Ou um regresso às origens para que a quantidade e a acessibilidade para todos seja a norma, e do qual haja dinheiro suficiente para todos, distribuído de forma equitativa e cabendo ao promotor uma percentagem relativamente baixa - dez por cento, pelo menos - no qual todos saem contentes?

Muitos vão dizer que a elitização é o preço a pagar para a qualidade da Formula 1, mas outros gostariam de ver a população nos paddocks, a ver os carros, a cumprimentar os pilotos, pois é o público que faz mexer isto tudo. Só que nos últimos tempos, essa procura incessante por mais dinheiro levou-nos a localizações exóticas com dinheiros vindos de sitios pouco transparentes, para locais onde ter um Grande Prémio é mais um capricho do déspota local do que por exemplo, existe público para tal. Não tenham dúvidas: a Formula 1 é uma competição do qual se tira imenso dinheiro, e é altamente lucrativa. Tanto que distribui parte dessas receitas às equipas, numa proporção desigual, do qual as equipas adoram e não desejam mudar tão cedo.

Contudo, sempre tive a sensação que nessa procura das "três estrelas da Michelin", perdeu-se algo pelo caminho. E para piorar as coisas, há muitos tempo que se diz que a falta de adesão da Formula 1 às redes sociais, aliado aos sinais fechados em certos países, fizeram com que se perdesse boa maioria desses potenciais novos membros. A idade do espectador médio aumentou, e isso é mau, porque se não há renovação de fãs, há menos gente, logo, menos dinheiro...

É verdade que nesse campo, Ecclestone pensou mais na ideia de que "os outros que resolvam isso". Só que, agora que os outros chegaram, parece não gostar lá muito das ideias deles. É que - voltando à analogia do restaurante - se comer micro-comida num restaurante com estrelas Michelin pode ser uma experiência fora do vulgar, um churrasco com os amigos, bebendo cerveja, também é muito bom. E acho que não se pode perder as raízes. 

Contudo, sei que até à sua morte, o Bernie não vai perder qualquer chance de alfinetar a nova gerência. Disso tenho a certeza. Ainda iremos ouvir muito dele.

sábado, 18 de março de 2017

A imagem do dia

O GP da África do Sul de 1977, em Kyalami, iria ser marcante por muitos motivos. Um deles aconteceu na pista, de forma trágica, quando o Shadow de Tom Pryce atropelou um comissário de pista, matando-o, e acabando também por morrer, vitima do choque com o extintor que esse comissário levava.

Mas o que não sabiam é que outro piloto estava ali a fazer a sua última corrida, e dali a menos de duas semanas, acabaria por morrer. Era o brasileiro José Carlos Pace.

Muitos afirmam a sua frustração quando dizem que Pace poderia estar à beira de alguma coisa. Por ser veloz, por aquilo que tinha alcançado na corrida inicial, na Argentina, e por causa daquilo que o carro tinha conseguido tirar, agora que estavam no segundo ano da parceria com a Alfa Romeo, de uma certa forma, poderiam ter razão. Campeão do mundo? Não. Ainda era demasiado quebrável, aquele motor. Mas vencer as corridas que Niki Lauda acabaria por ganhar, em 1978, isso sim.

Bernie Ecclestone disse certo dia que se Pace não tivesse morrido, não teria contratado Lauda. De facto, pagou somas astronómicas para o ter, mas em 1979 foi a Parmalat que pagou o seu salário e não o "anãozinho tenebroso", uma expressão vinda da boca do próprio piloto. Talvez em 1977 e 78, Pace teria tido um ano como teve em 1975, onde venceu em Interlagos.

Mas enfim, o Destino tinha outros planos. E em tributo a Pace, eis esta foto da sua última corrida, em Kyalami, onde largou do segundo lugar da grelha.

sexta-feira, 17 de março de 2017

A imagem do dia

Na história da Formula 1, apenas três pilotos venceram como construtores: Jack Brabham, Bruce McLaren e Dan Gurney, como construtor da Eagle, no GP da Bélgica de 1967. Contudo,há um quarto piloto do qual poderemos dizer que também venceu a bordo das suas próprias máquinas. E ainda por cima, venceu por duas vezes no mesmo circuito! Trata-se de John Surtees, que venceu em 1970 e 71 na Gold Cup, disputado no circuito britânico de Oulton Park.

Como é sabido, no final de 1969, Surtees decidiu abandonar a BRM, depois de um ano infernal com eles, e achou por bem que construir o seu próprio chassis seria o ideal. Contudo, este não ficou pronto logo na temporada de 1970, e começou com um McLaren. Só teve o seu carro, o TS7, em Brands Hatch, no GP da Grã-Bretanha.

Poucas semanas depois, a 22 de agosto, Surtees alinhou em Oulton Park, para o International Gold Cup, uma das muitas provas extra-campeonato existentes um pouco por toda a Grã-Bretanha. Contra ele, tinha mais alguns carros de Formula 1, um dos quais o Lotus 72 de Jochen Rindt e o Tyrrell 001 de Jackie Stewart. Aliás, era a estreia do Tyrrell com chassis próprio, numa corrida de automóveis. O resto do pelotão era constituido por carros de Formula 5000, mais baratos, mas menos potentes.

A corrida teve duas mangas, e Surtees venceu a primeira, com o BRM de Jackie Oliver em segundo e o Lotus de Rindt em terceiro a 12,4 segundos. Na segunda corrida, Rindt venceu, mas Surtees foi o segundo, a 9,4 segundos, e no conjunto das duas mãos, Surtees acabou sendo o vencedor. Para Rindt, aquela seria a sua última vitória, pois iria morrer três semanas depois, em Monza.

No ano seguinte, Surtees voltou como vencedor, e claro, cabeça de cartaz da edição de 1971, como podem ver na imagem acima. Nesse ano, dos 24 carros que apareceram, oito eram de Formula 1, num pelotão de Formula 5000. Surtees andava no novo TS9, e entre os outros carros de Formula 1, haviam os BRM de Hownden Ganley e Peter Gethin ou os March 711 de Henri Pescarolo e Mike Beuttler.

Os Formula 1 foram mais velozes, com Gethin a fazer a pole-position, enquanto que Henri Pescarolo venceu na primeira manga. Surtees largava do quarto lugar na grelha e acabou em terceiro na primeira manga, enquanto que na segunda, aproveitou para passar os BRM e a desistencia do piloto francês para ficar com o primeiro lugar e vencer a Gold Cup, com Ganley em segundo. 

Curiosamente, nessa corrida, tinham alinhado mais dois Surtees, mas de Formula 5000: um para Alan Rollinson, que acabou em quarto, e outro para Mike Hailwood, que ficou no 12º posto, a cinco voltas do vencedor.

CNR: Miguel Campos vai alinhar no Rali de Portugal

Miguel Campos quer alinhar no Rali de Portugal. O piloto, campeão nacional de ralis por uma vez, não alinhou nos três primeiros ralis do ano, afirmando que estava a arranjar patrocinadores para fazer alguns ralis em 2017, mas agora disse que pretende fazer o rali de Portugal, caso as conversações cheguem a bom porto.

Tenho a intenção de fazer algumas provas do CNR. Todas já decidi que não vou fazer, mas talvez faça as mais importantes, mas não sei ainda ao certo quantas vou fazer. Talvez comece no Rali de Portugal, estou a equacionar fazer essa prova, o Rali da Madeira e outra, que ainda não sei qual” começou por dizer o piloto de Famalicão.

Em relação ao carro, Campos está indeciso entre continuar com o Skoda Fabia R5 que andou em 2016 ou passar para um Ford Fiesta R5, revelando que há negociações nesse sentido, dependendo de um patrocinador. “Quanto ao carro ou vai ser um Ford Fiesta R5 ou Skoda Fabia R5, mas também ainda não sei qual, estamos em negociações”.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A imagem do dia

Quase uma semana após o desaparecimento de John Surtees, dei de caras com o momento em que ele começou a passar das duas para as quatro rodas. A coisa interessante sobre o próprio "Big John" é que em 1960, quando essa transição aconteceu, ele não tinha qualquer intenção de se meter nas quatro rodas. No final, foi um misto de aborrecimento, escape de um contrato que lhe era desfavorável e oportunidade.

Tudo começou em 1959, quando Surtees estava no auge da sua carreira nas motos. Vencia tudo nas classes de 350 e 500cc, graças às máquinas italianas da MV Agusta. O conde Agusta estava feliz por saber que tinha o melhor piloto do pelotão, mas surtees estava aborrecido. Queria ter maior liberdade no seu contrato, especialmente para correr noutras máquinas, entre os Grandes prémios de motociclismo. Agusta recusou, e depois de pensar um bocado, recordou uma conversa que tinha tido algum tempo antes com Mike Hawthorn: de que deveria tentar os automóveis, não só porque tinham mais duas rodas que as motos, mas também "porque não cais tão facilmente", citando o primeiro campeão inglês de Formula 1.  

Como nada havia no seu contrato que impedisse de correr em quatro rodas, Surtees tentou a sua sorte num Aston Martin de Le Mans. Esse teste aconteceu em Goodwood e ele andou bem. Tão bem que... superou os tempos feitos por Stirling Moss no mesmo carro. Os resultados do teste chegaram aos ouvidos de Tony Vanderwell, dono da Vanwall, que ficou fascinado com o que Surtees tinha feito, e telefonou-lhe, oferecendo um dos exemplares do carro de 1958. 

Surtees contou esse episódio anos depois, à Motorsport: "Ele disse, 'o que diabos você estava a fazer dirigindo essa coisa? Por que você não me disse que queria experimentar um carro?' Ele me disse para estar em Goodwood no dia seguinte, onde havia um Vanwall de Formula 1 à minha espera."

Dito e feito: com o Vanwall à sua espera, Surtees saltou para o carro e fez tempos melhores do que Tony Brooks e Stirling Moss. Vencidas as reticências, Surtees alinhou na sua primeira corrida, uma prova de Formula Junior em Goodwood, no inicio de 1960. O seu maior rival na grelha? Um tímido escocês chamado... Jim Clark, que alinhava num Lotus. Surtees estava num Cooper-BMC inscrito por um madeireiro chamado Ken Tyrrell.

A corrida foi um duelo entre Clark (que estava a fazer a sua segunda corrida em monolugares!) e Surtees, que tinha feito a pole-position. Tudo acabou quando ele bateu contra um concorrente que iria dobrar. Mas a experiência - e a maneira como duelou com o escocês - foi mais do que suficiente para que corresse na Formula 1 logo nesse ano, no GP do Mónaco. A bordo de um Lotus 18, que tinha como companheiro de equipa... Clark.

A corrida nas ruas monegascas não teve o inicio que queria, desistindo ao fim de 17 voltas, mas em Silverstone, conseguiu o seu primeiro pódio, um segundo lugar. E na Boavista, conseguiu ainda mais: uma pole-position, a primeira de sempre da equipa de Colin Chapman. Liderou a corrida sem problemas até à volta 37, quando uma fuga de óleo o fez escorregar o seu pé do pedal do travão e causou uma batida contra os fardos de palha. Mas tinha convencido Chapman ao ponto de ele poder escolher o seu companheiro de equipa. Ele quis Clark, mas sentiu pena por Innes Ireland, com quem tinha uma boa relação de amizade, e decidiu ele mesmo sair da Lotus.

Mas ele já tinha feito a decisão de ir para as quatro rodas, retirando-se das duas no auge, com ambos os títulos de 350 e 500cc no bolso.

Formula 1 em Cartoons: A nova pintura da Force India (Cire Box)

A nova pintura da Force India implicou não só uma nova cor nos carros, como também os seus capacetes também tiveram uma nova demão de tinta da mesma cor. Contudo, o "Cire Box" acha que ainda há mais, como por exemplo, as novas vestimentas...

"E para estarmos consistentes com a nova decoração, eis os vossos novos fatos! Sóbrios, discretos... tudo aquilo que eu gosto!", diz Mallya.  

A redescoberta de um carro mitico

Ano que vêm, "Bullitt" fará 50 anos. Um dos filmes mais míticos da década de 60, mostrou duas coisas: o ator Steve McQueen como "o rei do cool", no papel de Frank Bullitt e uma das perseguições mais míticas da história do cinema, com o duelo entre o Dodge Charger dos "maus da fita" (que na realidade, é guiado por Bill Hickman, um dos melhores duplos do seu tempo) e o Ford Mustang GT verde oliva de Bullitt, pelas ruas de São Francisco.

O filme mostra ambos os carros, mas o que os fãs gostam mais é do Mustang Fastback 350GT, um veloz coupé. Soube-se que eles usaram dois carros nessa cena, e que um deles está guardado num armazém há mais de 50 anos, e o proprietário não deseja vendê-lo, resistindo a várias ofertas do próprio McQueen, que queria comprá-lo. O segundo carro julgava-se perdido para sempre, de tão batido que tinha ficado durante as filmagens.

Contudo, há algumas semanas, foi feito um anuncio improvável: esse segundo carro foi encontrado. No México, e está a ser restaurado para ser mostrado ao mundo no ano que vêm, no cinquentenário do filme. 

Segundo se conta na noticia, o carro tinha sido encontrado na Baja California - ou seja, no México - numa sucata, abandonado e já sem o motor original. Tinha sido pintado de novo, com uma camada branca, mas conseguiu ser identificado graças à placa que acompanha todos os carros desde a sua construção na fábrica. A pessoa que o encontrou, Hugo Sanchez, tinha como objetivo inicial transformá-lo numa réplica da "Eleanor", o Mustang que aparece no filme de 2001 "60 Segundos", mas quando o trouxe para a oficina do seu amigo Ralph Garcia Jr, no outro lado da fronteira, e descobriram a placa, foram ver numa base de dados compilada por Kevin Merti e ficaram chocados com a descoberta.

"Não é a primeira vez que um desses carros de filmes antigos aparece num ferro velho, mas isso é raro", afirmou Marti, que foi ver o carro em pessoa, depois de ter sido contactado pelos proprietários. Apesar do carro ter sido encontrado sem caixa de velocidades, os eixos dianteiros e traseiros pertencem a um Mustang de 1967. Para além disso, descobriram buracos extra no porta-bagagens, indicativos de que tiveram câmaras montadas dentro do carro para as cenas "onboard" do filme.

Garcia apresentou o carro ao público no inicio deste mês em Mexicali, e já teve ofertas bem generosas para comprar o carro tal qual como está, mas recusou, afirmando que quer restaurar o carro de forma mais original possível, para poder apresentar no ano que vêm, altura em que o filme comemorará o seu 50º aniversário. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Como Donald Trump quase cancelou o Rali do México

A guerra de palavras entre o presidente americano e o governo do México quase fez uma vitima colateral: o rali do México. Mais do que as promessas de construir um muro na fronteira, é também a promessa de criar uma guerra comercial ou de taxar os produtos vindos do México que fizeram entrar a economia local em crise, e a moeda local, o peso, se desvalorizasse a tal ponto de não haver dinheiro suficiente para pagar os custos do rali.

Toda a história do Trump fez com que a moeda desvalorizasse 40 por cento numa semana”, disse Patrick Suberville, o diretor do rali mexicano ao site Motorsport.com. “A maioria das coisas que usamos [no rali] vem dos EUA e de repente, elas se tornaram muito mais caras”.

O evento estava em apuros este ano porque já tínhamos perdido o nosso patrocinador principal três meses antes da sua realização, nós soubemos que a Volkswagen abandonou o barco quando nós estávamos a assinar o contrato com eles".

O governo nos ajudou, eles viram que estávamos em apuros e nos ajudaram na nossa realização”, concluiu.

Para além disso, outra polémica surgiu durante a realização da competição. Na primeira noite, o rali fez uma super-especial no centro da Cidade do México, no sentido de atrair transmissões televisivas e mais espectadores a poder ver os carros no Zocalo, a praça central da capital mexicana. Contudo, se a transmissão televisiva noturna pode ter sido um sucesso, esta situava-se a 400 quilómetros de Leon, o centro nevrálgico do rali.

E dois acidentes na estrada de ligação a Leon fizeram com que as especiais da manhã - as primeiras passagens por El Chocolate e as Minas - tivessem de ser canceladas.

Apesar de tudo, os construtores aprovaram a medida, pois lhes permitiu alargar o número de espectadores presentes.

Muito poucas pessoas da capital estarão em Leon para o rali, então a Cidade do México torna um grande interesse para os fabricantes”, disse Yves Matton, o patrão da Citroen.

Malcolm Wilson, da M-Sport, acrescentou: “Temos de tirar o chapéu a eles por aquilo que conseguiram neste tempo”.